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05/10/2017
Psiquiatria. Crise afeta a saúde mental dos brasileiros

Os desarranjos da conjuntura mexem diretamente com o cidadão comum. O desemprego aumentou, a inflação ameaça o poder de compra e afeta a casa, o emprego e a autoestima. Somado a tudo isso, um outro ingrediente: a crise política. Executivo, legislativo e judiciário — e a imprensa — postos à prova. Direita, esquerda, progressistas e conservadores, se engalfinham nas caixas de comentários do Facebook, na mesa do almoço, no grupo da família no WhatsApp. O Brasil está em crise — e o brasileiro também.

A saúde mental dos cidadãos está à mercê das decisões que perpassam interesses políticos, ideológicos e financeiros. “O ser humano é um conjunto da sua história pessoal e do contexto social em que vive. A nossa segurança vem dos recursos psicológicos que cada um tem, mas também dos psicossociais que a sociedade nos oferece”, atesta o psicólogo Francisco Rodrigues de Freitas.

À medida que as certezas vão se diluindo, os problemas individuais, relacionados à saúde mental, podem emergir. O emprego ameaçado e a falta de trabalho, por exemplo, são ingredientes de um contexto que pode gerar depressão e crises agudas de ansiedade.

O aperto financeiro traz também uma contradição para o poder público: mesmo em crise, ele precisa se preparar para os reflexos na saúde pública. A rede de atenção à saúde mental deve estar bem estruturada para receber a demanda, o que nem sempre acontece, na opinião do psiquiatra Eugênio de Moura Campos. “Alguns pacientes que já estariam estabilizados podem recair e aqueles que têm crises agudas podem não encontrar um atendimento de uma forma com maior presteza”, considera ele, que é coordenador da Comissão Científica da Sociedade Cearense de Psiquiatria (Socep). Os reflexos da crise na saúde mental dos brasileiros e o impacto disso na rede de atendimento foi tema da 39ª edição da Jornada Cearense de Psiquiatria, organizado pela instituição, que ocorreu em Fortaleza na última semana.

A crise passa a afetar os cidadãos na medida em que eles se culpam por uma situação que, na verdade, tem causa contextual. “Uma das possibilidades é a pessoa achar que não tem emprego porque não é qualificado ou bom o suficiente para o cargo, quando ele pode ter perdido o emprego porque o mercado está instável”, aponta o psicólogo Francisco Rodrigues de Freitas.

Para ele, a saída é exercer a consciência crítica e entender que as causas para o problema são muito mais do contexto do que do indivíduo. Entender os processos políticos e econômicos podem evitar as repercussões pessoais da crise. “Ao mesmo tempo, ele tem de participar de discussões de grupo, encontrar com amigos e entender como resolver isso no coletivo”, sugere.

 

RÔMULO COSTA

 
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