Uma pessoa morre a cada 45 minutos de suicídio no Brasil; e uma a cada 45 segundos no mundo. Mesmo considerado como problema de saúde pública pela Organização Mundial de Saúde (OMS), por afetar de forma brutal muitas famílias, o problema ainda é considerado tabu na sociedade.

Durante o Setembro Amarelo, campanha brasileira iniciada em 2015 para alertar sobre os riscos e a prevenção ao suicídio, a proposta é mostrar que existem sinais que identificam pessoas vulneráveis. Mais 90% dos casos podem ser evitados, por isso, ao invés de silenciar, especialistas orientam a falar abertamente e oferecer ajuda quando a pessoa demonstra tristeza crônica, pensamentos mórbidos, agressividade, insônia, isolamento ou outra mudança de comportamento.

Em Mato Grosso, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) registrou entre 2014 e 2018 um total de 700 suicídios, cerca de 4% em Cuiabá e Várzea Grande, onde houve 33 registros. Neste ano, foram 130 casos. Apesar de as tentativas serem maior entre as mulheres, mais de 80% dos fatos consumados se refere a homens, nas faixas etárias de 36 a 59 anos. 

Apesar de as tentativas serem mais frequentes entre mulheres,
os homens são maioria entre casos consumados

Para o tenente da Polícia Militar Thiago Pereira, do 3º Batalhão da PM do Grande CPA, que atende 114 bairros, o número das ocorrências referente a suicídio consumado e de tentativas vêm aumentando, o que é preocupante. “Normalmente são pessoas que estão enfrentando um momento difícil emocional, um dos casos recentes se tratava de um homem que não havia superado o divórcio e a distância da filha, felizmente chegamos a tempo para reverter a situação”.

Ainda visto com estigma pela população do estado, o tratamento para depressão e outras doenças psíquicas é essencial para reverter a grande maioria dos quadros que levam ao suicídio. “Um paciente com problema de pressão alta ou diabetes toma seu remédio diariamente para evitar uma complicação, o mesmo deve acontecer com quem tem depressão ou outras doenças psíquicas. Não há o que pensar ou aceitar, é uma questão de saúde, de evitar complicações que podem levar à morte”, afirma Carlos Periotto, presidente da Associação Mato-grossense de Psiquiatria.

Salvando vidas

Com 2,4 mil voluntários em todo o país, a maioria atuando em um dos 90 postos de atendimento, o Centro de Valorização da Vida (CVV) realizou no ano passado 2 milhões de atendimentos. Para este ano, a expectativa é ultrapassar 2,5 milhões. Em Mato Grosso, os 64 voluntários atendem mensalmente 2,5 mil ligações de todo o país pelo telefone 188 (24 horas por dia, inclusive aos domingos  e  feriados),  chat  e  e-mail.

Aconselhar? Dar palpite? Ou criticar? Quem liga para o CVV se depara com um tipo de ajuda muito eficiente, que se chama ‘escuta amorosa’, onde o voluntário ouve de forma acolhedora, compreensiva, sigilosa, sem críticas ou aconselhamentos. 

O modelo é utilizado pela instituição, que não tem fins lucrativos, há mais de 50 anos no mundo, mas é importante destacar que esse serviço não substitui o atendimento psicológico e/ou médico. Quem se interessar em ser voluntário, o CVV de Cuiabá vai realizar um curso a partir do dia 12 de setembro, que vai durar 13 semanas, sempre às quartas-feiras, das 19h30 às 22h, a formação é gratuita.

Setembro amarelo

O suicídio é um problema de saúde pública que mata mais do que a Aids e muitos tipos de câncer no Brasil. Com a devida atenção, 9 a cada 10 casos pode ser prevenido. O movimento Setembro Amarelo, mês mundial de prevenção, foi iniciado em 2015 pelo CVV, CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria); mundialmente pela IASP – Associação Internacional para Prevenção ao Suicídio.